Atualidades Geral 04.08.2026

Cuba mergulha no caos elétrico: rede volta a colapsar durante a recuperação

Enquanto os técnicos ainda reconstruíam a rede após um apagão nacional, o sistema cubano colapsou pela segunda vez. Milhões continuam entre o calor, a escuridão e a incerteza.

Cuba mergulha no caos elétrico: rede volta a colapsar durante a recuperação
Cuba não consegue sair da escuridão. Enquanto os técnicos tentavam, na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, reconstruir a rede elétrica após um apagão nacional, o sistema voltou a colapsar completamente durante a tarde. A segunda queda em menos de 24 horas anulou parte dos progressos alcançados e deixou milhões de pessoas sem um fornecimento de energia confiável.

Segundo os veículos de comunicação estatais, ocorreu uma nova desconexão do Sistema Elétrico Nacional. Um jornalista de televisão informou que uma forte oscilação tinha provocado o colapso. Mais tarde, a empresa estatal Unión Eléctrica afirmou que condições meteorológicas adversas afetaram a rede de transmissão durante os trabalhos de recuperação. Unidades de produção que já tinham retomado o fornecimento também foram atingidas.

No início, parecia haver progressos cautelosos. Várias unidades da Energas Jaruco tinham voltado a funcionar e subestações em redor de Havana estavam a ser ligadas gradualmente. Contudo, reconstruir um sistema elétrico totalmente desligado é um perigoso exercício de equilíbrio. Centrais, linhas e consumidores têm de ser ligados em etapas rigorosamente coordenadas. Se a produção e o consumo ficarem desequilibrados, a frequência pode oscilar e a parte da rede acabada de reconstruir pode voltar a cair.

Para a população, a explicação técnica oferece pouco consolo. No calor sufocante do verão, ventoinhas, aparelhos de ar condicionado e frigoríficos permanecem desligados. As bombas elétricas de água podem parar, os celulares só podem ser carregados de forma limitada e muitos comércios voltam a perder produtos e receitas. Hospitais, serviços de água e instalações de comunicação dependem de energia de emergência, mas os geradores só funcionam enquanto houver combustível.

O novo revés mostra quão pouca reserva ainda existe no sistema elétrico cubano. Muitas centrais têm décadas, as peças de reposição são escassas e a falta de combustível obriga há muito o operador a efetuar cortes diários. Três falhas nacionais em nove dias durante julho já tinham mostrado a rapidez com que uma perturbação pode arrastar toda a rede. Agora falhou até a tentativa de reconstruir o sistema depois do mais recente apagão total.

Há anos que o governo responsabiliza sobretudo as sanções dos Estados Unidos pela falta de combustível, pelas dificuldades de financiamento e pela escassez de peças. Os críticos apontam também para décadas de investimento insuficiente e má manutenção das instalações estatais. Para a população, esta disputa política muda pouco: quando a rede cai, a iluminação, a refrigeração, a água e as comunicações desaparecem ao mesmo tempo.

Particularmente preocupante é a rapidez com que a situação voltou a piorar. Os moradores mal podiam confiar que a eletricidade restabelecida se manteria ligada. Quem estava a refrigerar alimentos, bombear água ou carregar o telefone tinha de contar com uma nova interrupção a qualquer momento. Em Havana, muitas pessoas procuraram algum alívio no exterior durante a noite, enquanto quarteirões inteiros permaneciam escuros e apenas veículos, lanternas e alguns geradores forneciam luz.

Os técnicos têm agora de voltar a criar pequenas redes isoladas, arrancar as centrais passo a passo e dar prioridade às instalações essenciais. Mesmo que esse trabalho seja bem-sucedido, não significará o regresso ao fornecimento normal. Após colapsos anteriores, a eletricidade regressou a ritmos muito diferentes entre regiões, enquanto os cortes controlados continuaram. Cada nova falha pode fazer regressar a difícil recuperação ao ponto de partida.

Cuba não enfrenta, portanto, apenas mais um apagão comum. O país está preso numa espiral descendente de escassez de combustível, equipamentos envelhecidos e uma rede sem reservas de segurança suficientes. Para milhões de pessoas, a pergunta angustiante já não é apenas quando a luz voltará. Perguntam-se agora se desta vez vai realmente permanecer ligada.

Fonte: Reuters, 4 de agosto de 2026.